Preso por desviar cocaína para facção, delegado representou MS em evento de combate ao tráfico
- Agronegócio
- 25/09/2026 07:56
Preso acusado de desviar cocaína para ajudar facções criminosas, o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa tem salário mensal de até R$ 47,5 mil por mês e representou Mato Grosso do Sul em encontros nacionais de combate ao tráfico de drogas. Titular da Denar (Delegacia de Repressão ao Narcotráfico) por sete anos, ele foi alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco para prender 12 policiais.
Sousa saiu de casa, no Bairro Carandá Bosque, antes da chegada do Gaeco e aumentou a suspeita de vazamento da operação. No entanto, ele acabou se apresentando ontem à tarde na Corregedoria da Polícia Civil.
Conforme a investigação, o delegado, oito policiais civis, um policial militar e um policial penal são suspeitos de desviar parte da droga apreendida, principalmente cocaína, para uma facção criminosa.
Hoffman D’Ávila foi titular da Denar, delegacia especializada em combater o tráfico de drogas em Campo Grande. De acordo com o Portal da Transparência, o delegado recebia salário de R$ 45.838 a R$ 47.584 por mês – o valor equivale a 29 salários mínimos. Um trabalhador comum levaria dois anos e cinco meses para ganhar o que o delegado recebia em um único mês.
Exemplo de MS
Hoffman não era apenas bem remunerado. Ele representou Mato Grosso do Sul no Encontro Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Drogas, realizado de 5 a 7 de dezembro de 2022 em Brasília (DF). O Ministério da Justiça reuniu representantes de todos os estados brasileiros para discutir a implantação do M.O.S.A.I.C.O. e reunir casos práticos de investigações contra o tráfico de drogas e lavagem de capitais.
Em 2024, o delegado voltou a representar MS no 1º Encontro Técnico para Criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Entorpecentes. Ele foi a outros eventos nacionais para representar o Estado.
Com a prisão, o delegado deve ficar afastado da função. O caso é estarrecedor ao expor como o crime organizado passou a ter tentáculos na administração pública. Em Mato Grosso do Sul há houve caso de prefeito eleito e reeleito após ser preso por integrar o tráfico internacional de drogas. Vereador virar líder de prefeito após ser alvo da PF.
A Justiça condenou dois deputados estaduais por integrar organizações criminosas. O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL), condenado a 16 anos de prisão, só foi preso depois que perdeu o mandato de deputado estadual e a proteção da Assembleia Legislativa. E ainda planejava ser candidato a deputado federal, mas desistiu após ser preso.
Edivaldo Bitencourt- O Jacaré


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