Disputa pelo Governo teve virada nas últimas três eleições
- Política
- 09/08/2026 09:00
A campanha eleitoral começa oficialmente no próximo sábado (15) com oito candidatos a governador em Mato Grosso do Sul. Nas últimas três eleições, a disputa pelo Governo foi marcada por viradas – quem começou liderando em agosto não venceu o pleito em outubro. Em 2014 e 2022 teve virada ocorreu nas urnas, o vencedor do primeiro turno perdeu no segundo.
A história mostra que não existe eleição ganha no Estado. As únicas exceções foram as vitórias de André Puccinelli (MDB) em 2006, quando ele venceu o pleito no primeiro turno e confirmou o favoritismo apontado pelas pesquisas. Primeiro, ele derrotou o então senador Delcídio do Amaral (PT). Quatro anos depois, voltou a derrotar Zeca do PT.
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Aliás, a primeira virada histórica ocorreu em 1998. A campanha começou com o ex-governador Pedro Pedrossian (PFL) na liderança isolada e com chances de ganhar no primeiro turno. Na abertura das urnas, no primeiro turno, ex-secretário de Fazenda, Ricardo Bacha (PSDB) venceu com 309.330 votos (38,5%), contra 263.350 (32,77%) do deputado estadual Zeca do PT.
Pedrossian ficou fora do segundo turno ao ser atropelado pelos azarões. Acusado de defender invasão de terra e com chapa formada apenas por partidos de esquerda, Zeca se tornou governador ao virar o jogo no segundo turno e derrotar o tucano por 61,27% (548.040 votos) a 38,73% (346.466).
Em 2002, com o apoio da máquina do Governo, Zeca do PT foi para a reeleição com o apoio da esquerda e partidos da direita, como PL, PSL e PSD. Teve uma disputa acirrada, mas venceu Marisa Serrano (PSDB) no segundo turno.
Favoritos caem na chegada
Em 2014, Delcídio liderou as pesquisas do início ao fim da campanha eleitoral. O então deputado federal Reinaldo Azambuja aparecia sempre em 3º lugar, atrás do petista e do ex-prefeito da Capital, Nelsinho Trad, na época no MDB e era o candidato do Governo. Na véspera, as pesquisas já indicavam Delcídio em primeiro, Reinaldo em segundo e Nelsinho, que desidratou na campanha, em 3º.
No primeiro turno, Delcídio confirmou o favoritismo e saiu vencedor com 567.331 votos (42,92%), contra 516.744 (39,09%) de Reinaldo. As pesquisas indicavam o favoritismo do então senador petista no segundo turno. O Ibope chegou a dar Delcídio com 51% contra 49% do tucano.
A abertura das urnas surpreendeu com a virada. Reinaldo foi eleito governador com 741.516 votos (55,34%), contra 598.401 (44,66%) de Delcídio.

Quatro anos depois, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira (PDT) surgia como favorito na disputa. Ele liderava as pesquisas e poderia ir ao segundo turno contra André Puccinelli, que empatava na ponta apesar de já ter sido alvo da Operação Lama Asfáltica, uma das maiores ofensivas contra a corrupção no Estado. Reinaldo, que disputava a reeleição, aparecia em 3º.
Puccinelli acabou saindo de cena após ser preso por determinação do juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Atrás das grades, o emedebista desistiu do pleito.
Em agosto, as pesquisas indicavam, Odilon em primeiro lugar e Reinaldo em segundo. No entanto, a fama de “herói nacional” por prender os barões do tráfico foi desconstruída no decorrer da campanha e Reinaldo, mesmo tendo sido alvo da Operação Vostok a 20 dias do primeiro turno, quando foi acusado de chefiar organização criminosa e receber R$ 38 milhões em propina da JBS, acabou vencendo nos dois turnos.
O mesmo fenômeno ocorreu há quatro anos. Em 2022, Puccinelli e o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, na época no PSD, eram, os favoritos. Riedel e o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) não figuravam entre os favoritos.
Em agosto, quando a campanha começou, Riedel ficava com 17,4%, contra 22,4% de André e 18,3% de Marquinhos. Contar, com 8,3%, aparecia atrás de Rose Modesto (União Brasil), com 15,2%.
O escândalo de assédio sexual abalou a campanha de Marquinhos. André seguiu na liderança até a véspera. De acordo com pesquisa do Ipec, o emedebista tinha 28%, contra 16% de Marquinhos e Riedel e 15% de Capitão Contar.
Aberta as urnas, Capitão Contar venceu com 26,71% (384.275 votos), contra 25,16% de Riedel (361.981). Puccinelli ficou fora do 2º turno. No segundo turno, nova virada. O candidato do Governo, Eduardo Riedel, venceu com 808.210 votos (56,9%), contra 612.113 (43,10%) de Capitão Contar.

Análise para 2026

“Essas situações demonstram que nem sempre aquele que aparece na preferência dos eleitores nas pesquisas conseguem confirmar essa posição e não se elegem”, alerta o cientista político Tércio Albuquerque. No entanto, ele pondera que a história revela que as eleições anteriores foram diferentes. Em 1998, 2014 e 2022, não era reeleição.
Na sua opinião, Riedel é bem avaliado, considerado bom governador e tem a máquina a seu favor. Contudo, Albuquerque alerta que é preciso fazer uma campanha sem se apoiar no “já ganhou” porque esse convencimento pode representar um risco frene aos demais canidadtos que não vão dar espaço e vão concentrar esforços em tentar desqualificar o candidato.

Dos oito candidatos, Fábio Trad (PT), que conseguiu unir a maior parte esquerda, o rebelde da direita, João Henrique Catan (Novo), e o economista Renato Gomes (DC), que tenta fugir da polarização, e Lucien Rezende (PSOL) adotam postura de oposição ao governador. Os três centram fogo nas contradições e nos aliados de Riedel, principalmente, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). O mistério é a linha a ser adotada por Delcídio do Amaral (PRD), que não esconde as mágoas do PT.
Para o cientista político e professor da UFMS, Daniel Miranda, as reviravoltas ocorreram nos outros anos porque havia uma terceira via forte. “O que há de comum em reviravoltas é algum terceiro candidato forte: Pedrossian 1998; Nelsinho Trad (2014); Puccinelli (2022). Parece, até o momento, que essa eleição vai ser apenas Riedel x Trad”, analisou, sobre o atual governador e o candidato do PT.
“Pode ser que aparece um terceiro, mas se não aparecer vai ser governo x oposição; esquerda x direita. Aí a chance do Riedel é muito alta”, avaliou Miranda.
Edivaldo Bitencourt/ O Jacaré


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