Preso pelo Gaeco, auditor tem salário maior que governador e ganhou de até R$ 62 mil
- Polícia
- 08/07/2026 08:53
Preso por corrupção passiva e ativa, o coordenador estadual de Regulação e Assistência da Secretaria Estadual de Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, 51 anos, ganhava salário superior ao governador do Estado e recebeu entre R$ 38,9 mil e R$ 62 mil neste ano. Ele é acusado de receber propina para furar a fila da regulação para exames, cirurgias e internações nos hospitais estaduais.
Conforme o Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), a organização criminosa é acusada de desviar R$ 27 milhões dos cofres públicos por meio da compra de livros paradidáticos.
A juiza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, determinou a prisão de 16 pessoas e autorizou o cumprimento de 43 mandados de busca e apreensão.
A filha de Burgatt, Jéssica Duarte Burgatt, sócia da empresa Capital Saúde, também teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Fundada em 2021 em Três Lagoas, a companhia vende planos de saúde e se instalou recentemente na Rua 13 de Maio, na Vila Glória. O capital social da empresa é de R$ 30 mil.
Supersalário
Ed Carlo Britto Burgatt foi nomeado auditor de serviços em saúde em 2014. Ao longo do tempo, ele conseguiu assumir cargos de confiança na administração estadual. Ao ser preso, ele era o coordenador da Central de Regulação, a unidade responsável pela definição das vagas em hospitais, exames e cirurgias.

Conforme o Portal da Transparência, ele recebeu R$ 46.874,04 no mês de maio deste ano, que inclui subsídio de R$ 32.428,98 e mais adicionais de R$ 14.445,06. Em abril, ele ganhou R$ 62.068 em salários, 75% acima do subsídio de R$ 35.462 pago ao governador do Estado, Eduardo Riedel (PP).
Nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, ele recebeu pouco menos, R$ 38.950 – ainda muito superior ao valo pago a maior autoridade do Estado.
No entanto, o fato de ser contemplado com um bom salário não o impediu de praticar os crimes de corrupção passiva e ativa, de acordo com a denúncia do Gaeco. A magistrada argumentou que há indícios suficientes para a decretar a prisão preventiva.
Na nota, o Ministério Público Estadual deixou claro que os crimes continuavam sendo cometidos. Os 16 presos devem passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (8).

Em nota, o Governo do Estado anunciou o afastamento dos servidores presos na Operação Gutenberg.
Edivaldo Bitencourt/ O Jacaré


Comentários
Nenhum comentário enviado