Primeiro prefeito cassado de Campo Grande, Bernal morre aos 60 anos na Santa Casa

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  • 13/07/2026 08:08

O ex-prefeito da Capital, radialista e advogado, Alcides Jesus Peralta Bernal, 60 anos, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), um dia antes de seus aniversário, na Santa Casa de Campo Grande. Preso desde 24 de março deste ano, após matar o auditor fiscal Roberto Carlos Mazini, 61, a tiros, ele passou por uma cirurgia cardíaca na semana passada, teve a prisão domiciliar negada e voltou ao hospital no fim de semana.

Um dos políticos mais controversos da história recente de Campo Grande, Bernal quebrou a hegemonia do MDB, que governou a Capital por duas décadas, após vencer a eleição de prefeito sem estrutura financeira e apoio político. Contra um arco de alianças de 17 partidos, ele derrotou Edson Giroto, que tinha o apoio de André Puccinelli (governador) e de Nelsinho Trad (prefeito).

Ele teve o mandato cassado pela Câmara Municipal na madrugada de 13 de março de 2014. No entanto, por decisão do Tribunal de Justiça, reassumiu o cargo no dia 25 de agosto de 2015 e concluiu o mandato. Com os direitos políticos cassados, ele foi declarado inelegível e proibido de assumir o mandato de deputado federal em 2018 apesar de ter obtido 47 mil votos.

Fora da política, ele voltou aos holofotes no dia 24 de março deste ano, ao invadir a mansão na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, que perdeu em um leilão da Caixa Econômica Federal, e matar o empresário e servidor público estadual, Roberto Carlos Mazini, 61, com dois tiros. O ex-prefeito confessou o crime, mas alegou legítima defesa.

Preso em flagrante desde então, Bernal sofreu infarto na cadeia e passou alguns dias na UTI da Santa Casa após passar por uma cirurgia no coração.

Em pedido de liberdade, a defesa alegou que o ex-prefeito de Campo Grande foi diagnosticado com “doença coronariana multiarterial severa”. O quadro apresenta “altíssimo risco cardiovascular, com possibilidade aumentada de evolução para síndrome coronariana aguda, arritmias ventriculares, insuficiência cardíaca e MORTE SÚBITA”.

O argumento não convenceu o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, negou o pedido de concessão de prisão domiciliar humanitária. A defesa tinha alertada que o ex-prefeito corria risco de morte na prisão, mas o alerta foi ignorado por todas as instâncias do poder Judiciário, já que o habeas corpus foi negado pelos juízes Carlos Alberto Garcete e Aluízio Pereira dos Santos, da Vara do Tribunal do Júri, pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e até pelo Superior Tribunal de Justiça.

A casa em questão era de Bernal, mas foi vendida em leilão por R$ 2,4 milhões e arrematada por Mazini. A propriedade já estava em poder da Caixa Econômica Federal e acumulava R$ 344,9 mil em dívidas com IPTU, mas Bernal não aceitava perder o imóvel.

                                                                                                                                                                                               Priscilla Peres/OJacaré

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