Racha Familiar: Michelle expõe humilhação de Flávio Bolsonaro, e senador pede desculpas
- Política
- 25/06/2026 08:47
BRASÍLIA — O cenário político do Partido Liberal (PL) foi sacudido por uma crise interna exposta publicamente na noite de quarta-feira (24). A ex-primeira-dama e presidente nacional do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, publicou dois vídeos em suas redes sociais relatando ter sido "apunhalada" e humilhada pelo enteado, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
O estopim: A disputa pelo palanque no Ceará
Embora o desabafo tenha vindo a público agora, o racha familiar e político se arrasta desde o final de 2025. O motivo central da disputa foi a articulação de alianças eleitorais no Ceará.
A interferência da ex-primeira-dama gerou forte reação nos bastidores e foi considerada, pelos filhos de Jair Bolsonaro, como um "atropelo" às negociações conduzidas pelo partido.
"Ele me desrespeitou e maltratou ao telefone", relatou Michelle.
"Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido, que eu havia chegado ontem e não entendia de política. Diante dessa humilhação, entendi que ele não queria o meu apoio e me recolhi". Ela confirmou que os dois não se falam desde o episódio.
Flávio recua e prega união contra a esquerda
Diante da repercussão negativa que atinge diretamente duas bases sensíveis ao partido: o eleitorado feminino e os evangélicos —, Flávio Bolsonaro adotou um tom pacificador em nota oficial divulgada em seus perfis.
O senador rechaçou a acusação de histórico de maus-tratos a mulheres e pediu desculpas formais à madrasta. “Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, pontuou
O pré-candidato ainda justificou que vinha tentando reatar os laços políticos. Afirmou ter ligado para a ex-primeira-dama para convidá-la pessoalmente para uma reunião com a bancada feminina e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), mas alegou ter feito um "gesto não correspondido", já que Michelle não atendeu as ligações. "O convite segue de pé e o coração segue aberto, pois temos um Brasil para tirar das mãos do PT", concluiu.
Impacto na corrida presidencial de 2026
A crise traz contornos complexos para a liderança do partido. Flávio Bolsonaro foi o escolhido para liderar a cabeça de chapa do PL à presidência, enquanto Michelle que chegou a ser cotada para o cargo executivo máximo — deve focar na disputa por uma vaga ao Senado pelo Distrito Federal.
Aliados políticos buscam agora agir como bombeiros nos bastidores para selar uma trégua e evitar que o desentendimento doméstico fragilize a coesão da direita na campanha que se avizinha.
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