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A intervenção do Ministério das Minas e Energia para impedir o tarifaço fracassou e a conta de luz vai ter aumento médio de 12,11% em Mato Grosso do Sul. O Governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só conseguiu a redução de R$ 21 milhões, concedido pela Energisa MS, que teve impacto irrisório no cálculo da tarifa e o reajuste será três vezes superior a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses.
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai aprovar o reajuste na próxima terça-feira (14), mas o reajuste será retroativo ao dia 8, data-base do contrato. O processo chegou a ser retirado da pauta a pedido do Ministério das Minas e Energia, que articulava para reduzir o percentual do reajuste.
A relatora do pedido, Agner Maria de Aragão da Costa, consultou a Energisa MS sobre a possibilidade de adiar a análise do reajuste. A concessionária concordou, desde que o órgão regulador considere eventuais prejuízos no cálculo da tarifa.
Sem muita margem de manobra, Agnes informou que a única forma encontrada foi a redução de R$ 21 milhões do cálculo da tarifa, conforme proposta da empresa. A redução desse valor terá impacto de apenas -0,48% no percentual.
“Na mesma data, a STR informou, via reunião virtual, ao Conselho de Consumidores, a simulação de efeito médio considerando-se o diferimento de R$ 21 milhões, conforme estabelece o submódulo 4.4 do PRORET7. O Conselho manifestou sua concordância com a solicitação da distribuidora”, apontou a relatora.
Com o aval do conselho, ela definiu o percentual médio de 12,11% para a correção na tarifa de energia elétrica dos 1,15 milhão de consumidores nos 74 municípios do Estado. O percentual anterior era de 12,61%.
O reajuste para os consumidores de alta tensão, que incluem indústrias e grandes geradores, será de 12,39%, enquanto os de baixa tensão vão arcar com reajuste de 11,98%. Nesse grupo estão os consumidores residenciais.
Lucro recorde
O aumento será quase dez vezes superior ao registrado no ano passado, que foi de 1,33%. Também é quatro vezes superior à inflação oficial, calculada pelo IPCA, que ficou em 3,81%.
O índice expressivo assustará o consumidor sul-mato-grossense porque é o maior desde 2022, último ano da gestão de Jair Bolsonaro (PL), quando a tarifa de luz teve majoração de 18,16%. Em 2023, primeiro ano do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a conta teve aumento de 9,28%.
Em 2024, a tarifa teve redução de 1,61%, a primeira desde 2017. Apesar dos reajustes menores nos últimos três anos, a Energisa MS não tem do que reclamar, já que contabilizou lucros recordes. No ano passado, a empresa fechou com lucro de R$ 407 milhões.
Em 2024, o ano em que houve redução no valor da conta, a empresa teve lucro de R$ 603,7 milhões, o 2º maior da história, e só inferior ao de 2023, que foi de R$ 609 milhões. Em cinco anos, a concessionária acumulou R$ 2,7 bilhões em lucros.
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