www.horadanoticia.com.br
Aqui você lê o que acontece de fato
 
    Hora da Notícia (67) 9924-2726    Busca
   Primeira Página
   Notícias
      › Brasil
      › Alcinópolis
      › Camapuã
      › Chapadão do Sul
      › Costa Rica
      › Figueirão
      › Paraíso das Águas
   Guia de Negócios
   Agenda de Eventos
   Colunistas
   Galeria de Fotos
   Aniversariantes
   Notas Breves
   Charges
   Entrevistas
   Quem Somos
   Expediente
   Anuncie Aqui!
   Fale Conosco
  Informativo
  Cotações
Notícias
Busca 
Saúde
07/01/2026 - 06:45
Janeiro Branco: cuidar da mente é um ato de coragem e compromisso com a vida Veja mais no site da ALEMS
O início do ano convida a novos planos, reflexões e recomeços. É nesse contexto simbólico que surge o Janeiro Branco, campanha nacional criada em 2014 e oficializada em todo o Brasil pela Lei Federal 14.556/2023, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e emocional. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa ganhou força com a Lei Estadual 6.256/2024, de autoria da deputada estadual Mara Caseiro (PSDB), 3ª vice-presidente da Assembleia Legislativa, que instituiu o mês dedicado a ações educativas e preventivas em todo o Estado.
 
Inspirado na ideia de uma “tela em branco”, o movimento propõe que cada pessoa possa escrever uma nova história de cuidado consigo mesma, reconhecendo emoções, limites e a necessidade de buscar ajuda quando o sofrimento psíquico se faz presente.
 
“Janeiro Branco é uma campanha voltada para a urgência de olhar para um tema que por muito tempo permaneceu invisível: a saúde mental”, afirma a deputada Mara Caseiro.
 
Segundo a parlamentar, enfrentar preconceitos é uma das finalidades centrais da lei. “Depressão, ansiedade, estresse crônico e outros transtornos não são frescura ou fraqueza. São questões de saúde que exigem atenção, empatia e tratamento adequado. A campanha busca justamente iluminar essas questões, promovendo o diálogo e quebrando tabus”, ressalta.
 
Os dados reforçam a urgência do debate. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE – 2019), 6,8 milhões de brasileiros adultos conviviam com diagnóstico de depressão e realizavam acompanhamento com profissionais de saúde mental. Em Mato Grosso do Sul, eram 86,6 mil pessoas, sendo 46,1 mil apenas em Campo Grande.
 
A mesma pesquisa aponta que 133,3 mil sul-mato-grossenses haviam sido diagnosticados com outros transtornos mentais, como ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, psicose ou TOC. Entre adolescentes, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (2015) revelou que cerca de 18,8 mil estudantes do 9º ano relataram sentir-se sozinhos na maior parte do tempo.
 
Já dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram que, entre 2022 e 2025, o SUS registrou 84.474 atendimentos por transtornos depressivos e ansiosos no Estado, refletindo tanto o aumento da demanda quanto a ampliação do acesso aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
 
Saúde mental é complexa
 
Para o psiquiatra Adriano Bernardi, formado pela UFMS, ansiedade e depressão não podem ser compreendidas de forma simplista. “O diagnóstico envolve esferas biológicas, psicológicas e sociais. É preciso considerar desde o funcionamento dos neurotransmissores até a história de vida, os valores pessoais e o contexto social do paciente”, explica.
 
Segundo ele, embora o acesso à informação tenha aumentado a procura por tratamento, o preconceito ainda leva muitas pessoas a buscar ajuda tardiamente. “A doença mental não se resolve apenas com força de vontade. Existem desequilíbrios químicos que exigem tratamento adequado”, destaca.
 
No Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), o psiquiatra Kleber Meneghel Vargas observa a gravidade dos casos atendidos, especialmente de pacientes internados por outras condições clínicas, mas que apresentam quadros psiquiátricos severos. Ele aponta a falta de leitos especializados como um dos grandes desafios atuais, além da necessidade de fortalecer a formação, a assistência e a pesquisa em saúde mental no SUS.
 
Políticas públicas e SUS
 
Segundo a SES, Mato Grosso do Sul tem avançado no fortalecimento da política estadual de saúde mental, com ampliação dos CAPS, organização de fluxos assistenciais, capacitação de equipes e retomada do Comitê Estadual de Prevenção ao Suicídio. O Janeiro Branco cumpre papel estratégico ao integrar essas ações permanentes de promoção da saúde e estímulo à busca por cuidado.
 
Para o professor e pesquisador Jeferson Camargo Taborda, da UFMS, o sofrimento psíquico é também um fenômeno social e político. Estudos apontam maior vulnerabilidade entre mulheres, população LGBTQIAPN+, pessoas negras e indígenas. Ele alerta ainda para o crescimento dos índices de suicídio no Estado, que colocam Mato Grosso do Sul em posição de destaque negativo no cenário nacional.
 
“Integrar ciência, políticas públicas e campanhas sociais é essencial para reduzir estigmas, fortalecer o SUS e garantir acesso ao cuidado, especialmente para jovens e populações vulneráveis”, defende.
 
Escuta, prevenção e autocuidado
 
Na avaliação da psicóloga Tamyres Cuellar, o sofrimento emocional nem sempre se manifesta de forma visível. “Muitos sinais aparecem na intimidade, na solidão, e passam despercebidos. Campanhas como o Janeiro Branco permitem que o tema circule socialmente, ajudando as pessoas a nomearem aquilo que sentem e a buscarem ajuda”, explica.
 
Já a psicóloga Gabriela Molento destaca a importância do autocuidado e da atenção aos próprios limites. “O adoecimento psicológico é gradual. Perceber pensamentos, emoções e sensações corporais ajuda a identificar sinais precoces e a prevenir quadros mais graves”, afirma. Para ela, o estigma ainda é uma das principais barreiras ao acesso à terapia, realidade que campanhas educativas ajudam a transformar, ainda que de forma progressiva.
 
Histórias pessoais ajudam a dar rosto aos números. Marcella A. (nome fictício), diagnosticada com transtorno bipolar, relata uma trajetória marcada por tentativas de suicídio, internações e tratamentos intensivos. “Aprender a lidar com os períodos de mania e depressão é uma luta diária”, resume.
 
A acadêmica de Jornalismo Rafaela Palieraqui, hoje morando em Portugal, percebeu a necessidade de ajuda ainda na infância. Para ela, informação e redes de apoio foram fundamentais. “Estamos vivendo uma espécie de epidemia de depressão. Fechar os olhos para isso é um retrocesso”, afirma.
 
Canabidiol: cuidado complementar e responsável
 
Dentro do debate contemporâneo sobre saúde mental, o canabidiol (CBD) surge como uma possibilidade terapêutica complementar, sempre com acompanhamento médico. O clínico geral André Delamare, pós-graduado em Psiquiatria e Cannabis Medicinal, explica que a fitoterapia canabinoide pode auxiliar na regulação do humor, do sono e da ansiedade, desde que utilizada com cautela e prescrição adequada.
 
Embora ainda não haja consenso científico para o uso regular do CBD em transtornos mentais, relatos clínicos e estudos vêm apontando benefícios em casos específicos. Pacientes como André P. e Guilherme B. relatam redução significativa da ansiedade, melhora do sono e qualidade de vida após iniciarem o tratamento, alguns inclusive conseguindo reduzir ou suspender medicações convencionais.
 
A experiência da professora Fátima Carvalho, fundadora da Associação Divina Flor, também reforça a importância do diagnóstico, do acompanhamento profissional e do acesso responsável à cannabis medicinal. Atualmente, a associação atende milhares de pacientes, promovendo informação, pesquisa e apoio a quem busca alternativas terapêuticas.
 
Ao instituir o Janeiro Branco em Mato Grosso do Sul, a Assembleia Legislativa reafirma o compromisso com a promoção da saúde mental como política pública, direito social e responsabilidade coletiva.
 
“Reconhecer que precisamos de ajuda é um ato de coragem e autocuidado”, enfatiza a deputada Mara Caseiro.
 
Que a tela em branco proposta pela campanha seja preenchida com mais escuta, empatia, informação e cuidado durante janeiro e ao longo de todo o ano.
 
Por: João Grilo  

 

    
› Deixe sua opinião
Nome  
E-mail  
Mensagem 
 
Digite as duas palavras que você vê abaixo:
 
 
   
ELA: entenda os sinais da doença que paralisa o corpo aos poucos
    
   
Lei que equipara a injúria racial
    
   
    
Publicidade
Hora da Noticia   |   (67) 9924-2726   |   horadanoticiaredacao@hotmail.com   |   Costa Rica - MS