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O jornal paulista Valor Econômico analisa, em editorial na edição do dia 27 de julho, o episódio que teve repercussão nacional envolvendo o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB) e o eleitor Rodrigo de Campo Roque, 23 anos. O título do editorial é: “Abuso de poder, uma verdadeira praga nacional”. O jornal classifica o ato do governador como “carteirada”, definição do memorável jornalista e cronista Sérgio Porto, já falecido.
“Carteirada é como se diz, na gíria, quando uma autoridade ou celebridade diz o ‘você sabe com quem está falando?’ para livrar-se de culpas ou responsabilidades, ou para obter privilégios”, diz o editorial, que relata a seguir o lamentável fato ocorrido em plena rua, no bairro Aero Rancho, na quarta-feira da semana passada (21-07) e testemunhado por dezenas de pessoas.
Segue o editorial: “Puccinelli está conseguindo projeção nacional graças à sua intemperança. No ano passado, numa reunião com empresários do Estado, disse que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, era ‘veado’ e ‘fumador de maconha’, e que ele, o governador, o estupraria ‘em praça pública’ caso fosse ao Mato Grosso do Sul”.
A conclusão do jornal é que “na política em geral, perto ou longe das eleições, prevalece a idéia de que a eleição é uma permissão que o eleitor dá ao político para se apropriar da máquina pública em seu próprio proveito, de seus amigos e familiares. É o que os clássicos das ciências sociais chamam de ‘patrimonialismo’ – a incorporam de um poder que é público como poder privado.”
E finaliza o texto trazendo novamente ao centro da análise a postura do governador de Mato Grosso do Sul: “Puccinelli, como governador, não se acha obrigado sequer a ter compostura. Não precisa. Ele usa da rede de proteção da ‘carteirada’”.
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