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Entrevistas
12/07/2010
Empresas apostam em bem estar mental

Check-ups anuais e programas de bem estar se tornaram comuns no ambiente corporativo. Mais de um terço das companhias americanas têm centros de ginástica, e várias rebatizaram as cantinas, chamando-as de “centros de nutrição”. A lista inclui incentivos financeiros para aqueles que perderem peso, esteiras nos escritórios e até mesmo sessões de ioga e massagem. Agora, a preocupação corporativa com o bem estar começa a se desenvolver em outra área: a saúde mental dos empregados.

Empresas como BT, Rolls-Royce e Grant-Thornton criaram programas de saúde mental que vão desde a percepção inicial dos problemas por parte dos diretores, até a reabilitação de empregados que tenham sofrido colapsos. Nesse mercado crescente, consultoras como a Mental Fitness e a Corporate Psychology trabalham para melhorar o bem estar mental dos trabalhadores.

De acordo com os médicos, cerca de um terço dos problemas físicos encontrados nos ambientes de trabalho têm uma origem mental. Alguns psicólogos vêm se tornando verdadeiros gurus da área. Daniel Goleman, da Rutgers University, aposta na “inteligência emocional” no local de trabalho, enquanto Steven Berglas, da UCLA, oferece conselhos sobre como “recuperar a chama” após um grande desgaste. Já Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, afirma que a “psicologia positiva” pode aumentar a produtividade e a criatividade. Uma nova disciplina no ramo da administração, a neuroliderança, busca usar ciências cerebrais para melhor a gestão.

O Sainsbury Centre For Mental Health estima que um sexto dos trabalhadores britânicos sofra de estresse ou depressão, o que custaria aos empregadores cerca de US$ 26 bilhões por ano. Mas há quem veja a crescente preocupação corporativa com a saúde mental com maus olhos. Warren Bennis, da University of Southern California, afirma que a neuroliderança está “repleta de banalidades”. Outros detratores acham que a comparação entre o bem estar físico e o mental não faz sentido. Enquanto um ajuda os empregados a lidar com problemas que podem surgir, o outro é algo que não pode ser muito bem definido.

Ninguém duvida que a saúde física ajude a produtividade, mas o mesmo não pode ser dito sobre a saúde mental, já que historicamente, párias contribuíram muito mais para a criatividade do que otimistas. Empresas que exagerarem nas “atitudes positivas” correm o risco de prejudicar seus negócios, além de invadirem a privacidade de seus empregados.
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